IGREJA DE SÃO JOÃO EVANGELISTA

A Igreja do Palácio Cadaval, propriedade privada com culto religioso, é também conhecida e referida em livros e guias como Igreja de São João Evangelista ou como Igreja dos Lóios, por ter feito parte do Convento da Ordem de Santo Eloi, Lóios por deturpação portuguesa. Fundada em 1485, foi construída sobre as ruínas dum castelo árabe, destruído pelas revoltas do Mestre de Aviz no século XIV.

Restaurada em 1957 e 1958, por Dom Jaime Álvares Pereira de Melo, 10ª duque de Cadaval e pai da atual duquesa,
foi-lhe então restituída toda a sua beleza e esplendor original, preservando-se cuidadosamente as suas mais emblemáticas caraterísticas e que fazem desta igreja um dos templos religiosos privados mais bonitos e em melhor
estado de conservação de Portugal.

A Igreja apresenta-se com um pórtico gótico de grande nobreza do último terço do século XV e conta com uma lápide em forma de baldaquino, com a inscrição da data da sua fundação e com o brasão do seu fundador, Dom Rodrigo de Melo,
1º conde de Olivença.

A nave está ornamentada com nervuras góticas e revestida com uma esplendorosa coleção de painéis de azulejos
do pintor António de Oliveira, assinados pelo autor e datados de 1711, que representam cenas da vida do Patriarca
de Veneza, São Lourenço Justiniano, fundador da Ordem de Santo Eloi.

No chão da igreja encontram-se diversos túmulos das várias gerações de duques de Cadaval e seus ascendentes desde
o século XV e uma cripta com um ossário atribuído a frades da Ordem de Santo Eloi. Na nave central é ainda possível admirar uma cisterna árabe. Numa das paredes laterais, com ligação direta ao Palácio, impera uma tribuna do século XVII, mandada construir pelo 1º duque de Cadaval, Dom Nuno Álvares Pereira de Melo.

Na capela-mor da Igreja o altar é em talha dourada, ao estilo maneirista do período de transição da renascença para
o barroco. As imagens representam São João Evangelista, fundador da congregação do mesmo nome e São Lourenço Justiniano, fundador da Ordem de Santo Eloi. As paredes estão revestidas com azulejos do século XVII, policromados,
ao estilo tapete. No chão encontram-se dois originais túmulos de mármore desenhados e gravados - um retrata as figuras de Dom Rodrigo de Melo, 1º conde de Olivença, fundador da igreja e de sua mulher, a condessa Dona Isabel de Meneses, o outro representa as figuras de Dom Álvaro de Bragança e de sua mulher, Dona Filipa de Melo, condessa de Olivença.

A capela do Santíssimo impõem-se com o altar dourado do século XVIII. Numa das paredes laterais destaca-se o túmulo renascentista do século XVI, de Dom Francisco de Melo, grande latinista e conselheiro do rei Dom João III. A autoria deste túmulo é atribuída ao arquiteto francês Nicolau Chanterene. Na outra parede desta capela está o túmulo de
Dom Manuel de Melo, pai de Dom Francisco de Melo, 2º Capitão e Governador de Tânger.